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Vejo, na ciclovia, um homem sujo, com um dente preto quebrado, cabeça baixa, cara de dor, andando sozinho. Paro a bicicleta, meus olhos se enchem dágua e ouço gritos: Goooooooooolllllll!!!!!!!! Levo um susto danado e vejo na praia do Flamengo dois times jogando, um comemora. Olho para trás, ainda marejada, e lá se vai o homem desesperado.
Faço a manobra, separo dez reais da carteira e intercepto-o: Posso ajudá-lo em alguma coisa? O homem levanta os olhos arregalados e diz: Não preciso de nada. Mas sua cara é de muito sofrimento. Minha cara é assim mesmo. Tem certeza que não posso ajudá-lo? Não, responde, com medo. Aceita um Guaraviton (eu trazia uma garrafa na mochila). Ele dá um passo pra trás, talvez não saiba o que é um Guaraviton. É um refrigerante, digo. Tenho aqui, por favor, aceita. Ele aceita e eu sigo, na dúvida se a louca sou eu ou os transeuntes que passam por ele, indiferentes.
Talvez fosse apenas um canal no dente, concluo, lembrando a minha dor, que foi tanta, no metrô rumo ao dentista, que uma IDOSA ME DEU O ASSENTO!
Escrito por GH às 15h03
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Um idoso me aborda na rua pedindo dinheiro para uma refeição. Até que enfim alguém me olhou, é uma vergonha para um homem, diz. Dou cinco reais, assustada, e perco o rumo, me desoriento, dou a volta ao quarteirão em busca do restaurante a quilo onde ia almoçar domingo sozinha e eis que revejo o homem com um saco plástico contendo uma quentinha.
Agora ele não me escapa. Onde o senhor mora? Não tem família? De onde veio? De Volta Redonda, dorme num lugar onde também toma banho, responde. Uma sobrinha. Não tem filhos “graças a Deus”. Por quê? Seria uma vergonha hoje ter que depender dos filhos, ele responde.
Fique o senhor sabendo que quando a gente não olha não é porque não vê, porque somos maus ou indiferentes. Se eu for parar para cada um que me pede, não chegaria ao meu destino. Minha grana está contada. Tenho medo de assalto. As pessoas não olham, mas têm insônia, depressão e síndrome de pânico.
E mais, minto: perdi meus pais e queria que eles estivessem aqui, mesmo dependendo de mim, porque sou separada, minha filha casou e eu me sinto muito sozinha, ouviu? Digo, quase ralhando. Detesto ser enxergada de madame.

Escrito por GH às 15h03
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Sigo e ouço um elogio ótimo. Do fruteiro, claro. Depois dos cinqüenta só fruteiro, feirante e camelô conseguem enxergar a nossa beleza. Comprei peras e ele disse:
- "Esses zóio da sinhora divia de sê inconstitucional..."
Ganhei o dia, naturalmente.
Basta esquecer a cara do fruteiro.

Déborah Finnochiaro. Poemas de Mário Quintana. Gramado. RS.2007
Ensaio fotográfico na íntegra.
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Leia "Gente cabeça",
e veja fotos de cabelos interessantes.
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Escrito por GH às 15h01
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gloriahorta@gloriahorta.net

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Boa viagem.
DEVAGAR
Senhoras atravessando a menopausa
Perdi a moça que me habitava.
A dança dos sete véus

Cabelos, melhor não tê-los, mas como sabê-los?
A exposição impossível
Sangrias
Escrito por GH às 14h52
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Nem flor no cabelo pode mais
Em pânico sem dar um pio
Um caminhão de mães
Imagem roubada
A última geração de companheiros
Manual do bem-estar
Escrito por GH às 14h48
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Ladeira caraminhola
Plutão e o direito adquirido
Yo sou, tú eres
Perdendo o sono e as palavras
Escrito por GH às 14h48
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África grávida: o planeta azul não é redondo e te ignora .
Você não bate bem do coração e eu moro pancada numa ilha.
Reinventa-me que eu te idealizo.
Quem nunca comeu estrelas não sabe o gosto
Tesão sem bússola
Confesso que não vi
Nossa viagem no escuro
A escova regressiva e o elo perdido
Escrito por GH às 14h37
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Rosas, grama, risos, riscos, rios e espinhos
Gravador, fusca, impressora e vaca
Aluguei uma casa na beira do rio
Rio de Janeiro é a cidade que te salva
Escrito por GH às 14h36
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FOTOS: Garganta Profunda, vinte anos / Sala Funarte / Hall da Fama / Bombando / Tremores / Mirantão 1 / Mirantão 20 / Mirantão / Búzios 1 / Búzios 2 / Búzios 3: quiosques queimando / Secretário / Divertidades – Forum Social Global - Porto Alegre / Gente cabeça / Fotos que falam - Galeria fotográfica / Rio de Janeiro e Novo México / Arte na rua
Escrito por GH às 14h36
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Devagar
Senhoras atravessando a menopausa
Entrou outra alma dentro de mim no auge da insônia e passei dias chorando deitada, revirando os olhos e o corpo feito cenas de exorcismo, até que, sem remédio e sem diagnóstico, devidamente examinada, tomei um banho demorado, vesti uma roupa leve e voltei a trabalhar e a enfrentar a vida naturalmente como se eu fosse a mesma, sem ser.
Durante esse ataque, tomou conta de meu corpo uma senhora irada, bravíssima, cujos sentimentos e sonhos ainda desconheço, e perdi a moça que me habitava.
Inicialmente pensei que fosse uma doença, fiz queixa à médica, filas de exames, do labirinto aos hormônios, sangue, suor, fezes, coração, eletros e grafias, para descobrir, meio desapontada, que a saúde está de ferro.
Sou outra e preciso saber como esta criatura se veste, como ama, como reage, como é tratada. Agora eu me sinto frágil. Tenho medo e então fico brava à toa. Passei a gostar de Mineirinho. É isso. Tenho essas pistas. No mais, redescobrindo.
Quem conheceu a moça que fui guarde o retrato. Quem não viu perdeu a chance. Alisei os cabelos rebeldes e sinto-me sozinha.
Torçam para que tudo não passe de um simples envelhecimento.
Escrito por GH às 01h33
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